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Estamos vivenciando ondas de calor que não são normais em nosso país.

Moro na cidade de São Paulo desde que nasci e lembro que na minha infância tínhamos estações muito bem definidas. Durante o outono era comum passarmos vários dias com garoa fina incessante, tanto que São Paulo era apelidada de terra da garoa. No inverno, necessitávamos de agasalhos muito eficientes para podermos sair na rua. A primavera era a época das flores e o verão era quente, mas não como está sendo nos tempos atuais.

Sempre trabalhei com camisa de manga comprida, tanto pela higiene quanto pela proteção, pois um animal bravo que tentasse me morder tinha grandes chances de pegar somente o tecido. Contudo, no ano passado, em 2024, somente consegui trabalhar um único dia com camisa de manga comprida, e ainda assim passei calor.

É inegável que estamos passando por uma grande elevação de temperatura em nosso planeta e, tanto nós como os animais, não estamos preparados para isso.

Em outro artigo vou discorrer sobre os problemas que esse aumento de temperatura e as mudanças climáticas causam aos animais. Porém, hoje quero falar sobre pessoas irresponsáveis. Sim, pessoas que saem para passear com seus cães em horários mais quentes, quando o chão tem temperaturas maiores de 45 graus.

Antes falávamos que o horário mais quente do dia era o meio-dia, e tínhamos que evitar sair desprotegidos ou mesmo para passear com nossos animais. A realidade mudou e o horário mais quente ocorre desde as 10h00 até as 15h00, podendo se estender até as 16h00. E saber disso é muito importante.

Dois dados são relevantes para entendermos o que vou descrever adiante. O primeiro é a temperatura capaz de causar lesão na nossa pele, que gira em torno de 45ºC. A partir dessa temperatura, tanto a nossa pele quanto a dos animais sofrem lesões por queimaduras que, dependendo da elevação, podem ser muito graves.

O segundo dado é sobre a resistência do colágeno a determinadas temperaturas. Sabemos que o colágeno está presente em várias estruturas do organismo dos animais, inclusive na pele. O problema para os animais é que o colágeno derrete em temperaturas acima de 50ºC.

Pois bem, voltamos às mudanças climáticas, em temperaturas ambientes não muito altas, por exemplo 30ºC, o asfalto e o concreto podem atingir mais que 45ºC, pois a temperatura ambiente é medida na sombra e não sob a incidência dos raios solares, como ocorre com os pisos.

Agora vem a pior parte do meu artigo, pois é comum vermos pessoas passeando com seus cachorros durante os horários mais quentes do dia sem nenhuma proteção para as patas de seus pets. Porém, mesmo que houvesse uma proteção para as patas, o animal ainda assim estaria correndo risco de hipertermia por estar diretamente sob os raios solares.

Sabendo as temperaturas que causam lesão ao organismo, imaginem o que ocorre com os coxins digitais dos animais que caminham sob essas condições.

Sempre que vejo uma situação como essa, tento conversar com a pessoa que está com o cachorro me identificando como médico-veterinário e orientando sobre os malefícios que está causando ao seu animal, pois muitos não sabem que ele está sofrendo e que não demonstra porque passear é muito importante para ele.

Claro que muitas vezes encontro resistência, então falo para a pessoa retirar os sapatos e caminhar com seu pet. Se ela suportar, estará tudo bem para seu animal.

Cabe a nós, principalmente os clínicos que têm contato direto com os responsáveis por animais, orientar para que casos como esses descritos não ocorram.

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