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OBESIDADE EM CÃES E GATOS
A obesidade em cães e gatos é um problema crescente que caracteriza-se pelo acúmulo de tecido adiposo em excesso. O
seu diagnósco é realizado pela inspeção visual e palpação de regiões estratégicas de acúmulo de gordura. Depois disso,
realizamos a classicação do paciente de acordo com o Escore de Condição Corporal (ECC) de 9 pontos, desenvolvida por
Laamme (1997).
O excesso de peso é problemáca crescente, comum em seres humanos, cujo padrão de crescimento em pets se
assemelha ao observado nas estascas humanas em função da convivência próxima. Atualmente, em São Paulo, 40% da
população de cães, por exemplo, está acima do peso ideal15.
O tratamento inclui essencialmente a aplicação do balanço energéco negavo por meio de manipulação dietéca, a
qual é efeva quando consegue ser cumprida pelo paciente ou, nesse caso, o tutor. A fome é o principal fator que
diculta a assiduidade ao protocolo de perda de peso, em razão do comportamento de pedir por comida, que culmina na
falta de aderência às prescrições prescritas pelo médico veterinário e insucesso do tratamento4,15.
Um estudo publicado por Ferreira et al. (2022), observou que, após cães obesos consumirem uma dieta com 0,1% de
beta-glucanos, as suas concentrações séricas do pepdeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1) aumentaram após 90 dias.
Uma observação práca do estudo menciona que os animais começaram a deixar sobras de alimento nos momentos da
refeição; portanto, a sua inclusão nos alimentos para obesidade é interessante.
A obesidade em pets também reete os hábitos alimentares da família a qual pertencem, de tal magnitude que um
trabalho publicado por Niese et al. (2021), mostrou que um regime de perda de peso aplicado ao tutor leva à perda de
peso passiva no cão, e vice-versa. Ou seja, cães se beneciam da mudança de hábitos alimentares (e emagrecimento) de
seus tutores.
Com consequência do excesso de peso, podem ser citadas inúmeras alterações de dimensão sica/mecânica e
metabólica. Com relação as repercussões sicas, é possível citar a sobrecarga das arculações e coluna vertebral e
limitações respiratórias; com relação às repercussões metabólicas, podemos citar o diabetes mellitus (no gato),
dislipidemia, liase de vesícula biliar, inamação crônica de baixo grau e imunocompromemento, maior predisposição à
formação de urólitos, disbiose, neoplasias malignas e redução da expectava de vida9.10.
Em estudo desenvolvido por Vendramini et al. (2020), demonstrou que a perda de 20% do peso corporal foi eciente em
recuperar as alterações de imunidade e, em estudo paralelo, modular a microbiota, observando-se um perl semelhante
(intermediário) ao de cães não obesos. Um estudo de Pereira-Neto et al. (2018) também demonstrou que o
emagrecimento recuperou alterações respiratórias de cães obesos.
Em linhas gerais, os alimentos para tratamento de obesidade precisam ser hipocalóricos, de alta qualidade e com alta
concentração de nutrientes essenciais, para que, mesmo diante da restrição energéca, não ocorram deciências. A
inclusão de proteína deve ser maior em comparação aos alimentos de manutenção, a m de evitar a perda indesejável
de massa magra e propiciar incremento calórico (gasto energéco relacionado ao processo de digestão). As maiores
porcentagens de inclusão de bras também são desejáveis, a m de atrasar o esvaziamento gástrico e esmular os
receptores de mucosa que sinalizam presença de alimento e percepção de saciedade1.6.
Para cães, as calorias diárias a serem fornecidas devem ser calculadas em função da necessidade energéca de repouso
(NER) para o peso ideal (70 x peso meta 0,75), limitando-se ao máximo a subtração de 20% do peso atual, mesmo para
pacientes muito obesos, a m de evitar desnutrição e restrições muito severas e ao mínimo de 15%, considerando
pacientes em sobrepeso (escore 6 ou 7). Esta equação considera que as calorias fornecidas serão direcionadas somente
para a manutenção e funcionamento dos órgãos e sistemas, e que o tecido adiposo (que contribui para o peso) não
possui avidade metabólica a ser manda. Usualmente, a restrição de calorias resulta no consumo de 60 a 70% das
calorias que consumiria para manter o peso atual1,10,18. De acordo com as diretrizes da AAHA2, cães devem perder, no
máximo 2% do peso por semana.
Para gatos, um estudo de Vasconcellos et al., (2009) observou que o consumo de 85 kcal x kg de peso corporal 0,4 foi
eciente em promover a perda de peso de gatos obesos a uma taxa de perda de peso semanal de 1% (máximo
recomendado para gatos), o que corresponde ao fornecimento de 65% das calorias para manutenção do peso obeso de
130 x peso corporal 0,412, semelhante ao preconizado para cães.
Recomenda-se que o emagrecimento seja sempre acompanhado por um médico veterinário e não ultrapasse os valores
máximos de perda de peso semanal, a m de evitar perda de massa magra². Embora um nutrólogo possa ser necessário
em casos mais complicados, como animais resistentes à perda, idosos, glutões e/ou com doenças concomitantes, devido
ao seu repertório e habilidade de montar dietas adaptadas às mais diversas situações, ele também pode adequar o
processo a cada parcularidade do animal.
A obesidade, portanto, requer uma abordagem mulfatorial para o seu tratamento, tanto para controle da fome do
paciente, quanto para adequação ao ambiente familiar, rona e preferências. As dietas de obesidade podem
proporcionar essa perda de peso de forma segura, embora o processo deva ser acompanhado por veterinários e/ou
nutrólogos, para que alcance o seu sucesso, por ser um processo dinâmico e demorado.
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