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UMA SÓ SAÚDE E A LEISHMANIOSE VISCERAL
Uma Nova Opção De Tratamento
A Saúde Única é uma abordagem integrada que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal e
ambiental. Essa perspectiva holística é fundamental para enfrentar problemas de saúde pública de maneira eficaz
e sustentável. A Saúde Única promove a colaboração entre diferentes disciplinas e setores, como medicina
humana, veterinária, biologia e ecologia, para monitorar e controlar doenças que podem ser transmitidas entre
animais e humanos, como a leishmaniose visceral. Destacar que a leishmaniose visceral canina é uma doença
grave causada pelo protozoário Leishmania infantum, transmitida pela picada de flebótomos infectados. Essa
doença afeta cães e cometer os humanos, por transmissão vetorial, representando um desafio significativo para a
saúde pública. O desenvolvimento de novas drogas para o tratamento da doença é crucial para o seu
enfrentamento, pois as terapias atuais muitas vezes apresentam limitações, como alta toxicidade e eficácia
variável.
Pesquisas recentes têm focado na otimização de novos candidatos a fármacos para tratar a leishmaniose visceral
canina. Estudos têm avaliado compostos sintéticos que mostram potencial anti-Leishmania sem citotoxicidade
significativa para células de mamíferos, e podem oferecer alternativas mais seguras e eficazes para o tratamento
da doença.
A integração da abordagem de Saúde Única com o desenvolvimento de novas drogas pode melhorar
significativamente a prevenção e o controle da leishmaniose visceral canina. Ao considerar a saúde animal e
ambiental juntamente com a saúde humana, é possível criar estratégias mais abrangentes e sustentáveis para
combater essa e outras doenças zoonóticas.
Dentro deste contexto podemos destacar o registro no final do ano passado de um produto a base de
marbofloxacina como droga leishmanicida ampliando as estratégias de fármacos para o enfrentamento da
leishmaniose. O registro de novos produtos trazem alento e uma esperança de mudança do paradigma da doença e
da discriminação aos cães infectados, muitas vezes eutanasiados sem a oportunidade de tratamento, prática já
considerada ineficaz pelo consenso do 13th Symposium of the Companion Vector-Borne Diseases World
Forum, que nas suas diretrizes já criticava o modelo de eutanásia para controle da doença. O registro de um
produto à base de marbofloxacina para o tratamento da leishmaniose visceral canina é de grande importância por
várias razões:
1) Segurança e Eficácia Comprovadas: O registro formal de um medicamento garante que ele passou por
rigorosos testes de segurança e eficácia; pontos cruciais para assegurar que o tratamento seja seguro para os
animais e eficaz contra a doença.
2) Controle de Qualidade: Produtos registrados são submetidos a padrões de controle de qualidade, o que garante
que cada lote produzido atende aos critérios estabelecidos; o que é essencial para manter a consistência e a
confiabilidade do tratamento.
3) Acesso Ampliado: Com o registro, o medicamento pode ser comercializado legalmente, aumentando o acesso
dos veterinários e proprietários de animais a tratamentos eficazes; ponto particularmente importante em áreas
endêmicas onde a leishmaniose é uma preocupação significativa.
4) Confiança dos Profissionais de Saúde: O registro de um medicamento aumenta a confiança dos veterinários e
outros profissionais de saúde animal na prescrição do tratamento, sabendo que ele foi aprovado por autoridades
regulatórias competentes seguindo as normas e regulamentos vigentes especificamente para a indicação a que se
destina.
5) Incentivo à Pesquisa e Desenvolvimento: O processo de registro pode incentivar mais pesquisas e
desenvolvimento de novos tratamentos, melhorando continuamente as opções disponíveis para combater a
leishmaniose e outras doenças zoonóticas.
O registro de um produto à base de marbofloxacna é, portanto, essencial para garantir que os cães afetados pela
leishmaniose visceral recebam tratamentos seguros, eficazes e de alta qualidade para remissão da sintomatologia
clínica da doença e melhora clínica do paciente, compondo o conceito multimodal de associar o fármaco
leishmanicida com outras terapias complementares (leishmaniostático, imunomodulador, além de terapia suporte
e/ou sintomática conforme a necessidade para cada caso).
Que possamos no futuro ter mais e mais opções de novos fármacos para enfrentamento de graves doenças que
afetam nossos animais.