Cobaia
Ontem estava conversando com uma conhecida e ela começou a me perguntar sobre o animal conhecido como Porquinho da Índia. É claro que ela esperava que eu soubesse tudo sobre esse animal, afinal sou veterinário, mas sabemos que não é isso que ocorre, pois existem diversas especialidades dentro da nossa profissão e não conhecemos todos os animais, seus hábitos, tempo de gestação etc.
Contudo, respondi de acordo com o meu conhecimento da época em que era clínico geral e atendia animais não convencionais. Mas, enquanto respondia para ela, lembrei que esse animal é conhecido também com o outro nome popular de Cobaia. Sim, o Porquinho da Índia, o Cavia Porcellus é o famoso Cobaia amplamente utilizado em laboratórios para experimentos, principalmente os experimentos farmacológicos.
Esses animais são escolhidos por suas características biológicas, que podem ser úteis para entender certos aspectos da saúde humana.
Com certeza, neste momento, o leitor está pensando se ainda é necessário utilizar animais para experimentos como cães, porcos etc. E a minha resposta vai deixar muitos colegas tristes, pois em alguns casos sim, é necessário utilizar animais para saber se o resultado será fidedigno com o que o pesquisador está buscando.
Vou usar um exemplo que está muito próximo de mim que são os experimentos com laser terapêutico de baixa potência, aqueles utilizados na fisioterapia, tanto animal como humana, para tratamentos e que eu utilizo todos os dias na recuperação de animais.
Os experimentos in vitro não são confiáveis em seus resultados, pois como costumo dizer, uma placa de Petri aceita todos os resultados positivos para um experimento com laser. Quando esses mesmos experimentos são realizados em animais vivos, sejam Cobaias, ratos, coelhos ou mesmo seres humanos, os resultados podem ser muito diferentes.
O laser terapêutico de baixa potência pode sofrer interferências por diversas limitações encontradas nos seres vivos, como a pele que é uma barreira muito importante, no caso dos animais o pelo também é uma barreira difícil de ser transpassado. O sangue também é uma barreira importante que pode limitar o alcance do laser no corpo vivo, pois as hemoglobinas, mioglobinas e outros componentes podem impedir a passagem do raio laser, absorver boa parte desse mesmo raio ou desviar para outro local que não o de tratamento.
Resumindo, o animal é um corpo vivo e dinâmico que pode interferir em muitos experimentos e, por isso, infelizmente ainda se faz necessária a utilização desses seres inocentes para chegar às respostas de uma pesquisa.
Vocês, neste momento, estão se perguntando se eu sou a favor de experimentos em animais e posso responder sem nenhuma dúvida que sou contra. Contudo, ainda não conseguimos substituir os animais em alguns tipos de pesquisas e, se tudo correr bem, em breve já teremos tecnologia necessária para tornar o uso de animais nos experimentos obsoleto, muito ultrapassado e totalmente antiético.
Espero que esse dia chegue logo, mesmo porque eu utilizei ratos no meu experimento de mestrado e o pensamento do sacrifício deles povoa a minha mente até hoje, mesmo tendo passado muitos anos daquele dia em que eu fui obrigado a realizar o procedimento para dar continuidade à minha pesquisa. Porém é necessário dizer que tudo foi realizado com o aval da comissão de ética e com o maior zelo para que os animais não tivessem nenhum tipo de desconforto.
Caso alguém tenha curiosidade em acessar esse meu artigo, ele está disponível na Acta Cirurgica no endereço: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-86502012000200004
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